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13 de Dezembro de 2018

Uma lição sobre coincidências: a autonomia da Polícia Civil do Tocantins

Por: Delegado Roberto Assis

Nas últimas semanas a Polícia Civil do Tocantins foi destaque nacional. Alegando corte de gastos e reforma administrativa, o ato do Governo do Estado, de exonerar todos os Delegados Regionais de Polícia Civil do Tocantins, suscitou discussões acaloradas da sociedade civil, que tolera cada vez menos a corrupção entronizada das raposas velhas que teimam em roubar nosso dinheiro. Tal enxugamento às pressas, foi formulado logo após o Delegado Regional de Araguaína investigar um esquema de depósito de lixo hospitalar irregular, ligado à família do ex-líder do governo deputado, Olyntho Neto. Uma infeliz coincidência, não?

Será que estamos despertando nossa consciência crítica e dizendo um basta à corrupção? Não sei. Certo é que há pistas contundentes: a maioria da população conservadora elegeu, na última eleição, finalmente, um presidente que atende seus anseios e valores. Um presidente conservador, que não queira mais Estado e mais opressão, que pregue valores, menos impostos, menos doutrinamento ideológico raso e mais liberdade, e cujo ministro da Justiça é considerado quase um herói nacional. Esse já é um gigante passo dado neste despertar. E a consciência crítica, uma vez desperta, exerce poder maior que a bomba atômica: ela se expande, se expande, via círculos concêntricos cada vez maiores, iluminando a escuridão que nos impedia vislumbrar tempos melhores.

Se a esquerda perdeu seu prestígio pelas palavras mágicas que outrora hipnotizaram uma nação inteira, agora resta a indagação: o que fazer? Qual o próximo passo?

O próximo passo, claro, envolve algo fundamental: impedir a matança sistemática de homens e mulheres; fortalecer as polícias no combate ao crime. Hoje temos um país cuja taxa de assassinatos é da ordem de 70 mil homicídios por ano! Duas guerras do Iraque por ano. Se a promessa do próximo presidente é o combate à corrupção e o fortalecimento saudável da educação de base e universitária, sem as algemas ideológicas da esquerda, que ainda impera nas universidades, creio que ele terá outra ainda mais forte: a de manter a população viva! Pois até para sermos roubados pelos políticos, temos que estar vivos!

E isso, claro, perpassa pelo fortalecimento das polícias: Federal, Civil e Militar. Com uma polícia forte, o bandido pensará duas vezes antes de cometer crimes. No que concerne especificamente à Polícia Civil, esta tem que ser duplamente fortalecida, pois se trata de uma polícia investigativa, que lida com crimes delicados. Crimes cujos autores possuem, muitas das vezes, alto poder econômico e político, e não somos ingênuos de imaginar que um ladrão de colarinho branco vá ficar indiferente tendo a possibilidade de ir pra cadeia junto com outros ladrões menos favorecidos economicamente. Ele irá utilizar de seu poderio e o que estiver sob seu alcance para prejudicar os policiais que o investiguem. Fará o possível para enfraquecer a polícia.

Eis o que aconteceu em data recente aqui no Tocantins: houve, claro, enxugamento de despesas, adequamento das receitas e talvez nada passou de uma coincidência fortuita. O fortalecimento dos recursos materiais e pessoais da Polícia deve vir acompanhado pelos meios de ação, de uma autonomia financeira e jurídica que garanta aos policiais não serem possíveis vítimas de retaliações políticas e orçamentárias. De maneira que o político bandido, que eventualmente queira impedir esta ou aquela investigação, será impedido pela lei de efetuar uma perseguição contra o policial civil que o investigue. Será impedido de transferir os policiais sob o comando do Delegado para outras delegacias. Será impedido de transferir o próprio Delegado de Polícia para outra localidade sob a justificativa de enxugamento da folha, reforma administrativa, reenquadramento de cargos e funções ou qualquer outro nome lindo que queiram dar – e isso logo após os ratos de gravata serem investigados e prestes a serem presos, configurando coincidência atrás de coincidência.

Uma Polícia Civil forte, que combata assassinos, ladrões de carro, estupradores e traficantes, também deve ser uma polícia que combata com igual rigor os bandidos políticos que desviam recursos públicos para enriquecerem. Estes não são melhores que aqueles! Aliás, uma correção: são piores, pois o dinheiro que seria utilizado para equipar um hospital, lotar um novo enfermeiro ou médico num posto de saúde, comprar medicamentos de alto custo que valem milhares de vidas de homens e mulheres carentes, construir creches e casas para famílias humildes – todo esse dinheiro será necessariamente utilizado para o fortalecimento econômico e político da aliança nojenta de ratos de terno e gravata, que insistem em serem chamados de Vossa Excelência, de senhor prefeito, senhor deputado, senhor governador.

A população brasileira está despertando sua consciência crítica. É um bom sinal. Não queremos mais retrocesso! Bandidos políticos têm sim que temer a Polícia! Queremos uma Polícia atuante, independente, com orçamento e autonomia próprios, que tenha embasamento jurídico para atuar sem medo das pressões externas, que tenha autonomia plena para entregar o que a maioria silenciosa sempre desejou: bandidos presos e população livre para expressar suas ideias. O lixo que mexe com lixo deve encontrar seu lugar que lhe é próprio: atrás das grades! Sem coincidências.


Se o maior bandido do país, um covarde falastrão com nove dedos, está preso, é sinal de que bons presságios virão no futuro.

Devemos, como nação, aproveitar este ensejo de um novo despertar sistêmico e extinguir essa política velha da perseguição e do coronelismo, exigir dos políticos que façam seu dever e parem de roubar nosso dinheiro e ainda determinar – pois o Poder deriva do povo em primeiro lugar –  que os governantes façam o que lhes é imperioso fazer: entregar a autonomia plena da Polícia Civil no Estado do Tocantins. Se estiverem contra a Polícia, eles já escolheram o lado deles. E poderemos falar como o Comissário Gordon, no simbólico filme Batman o Cavaleiro das Trevas – filme cujo simbolismo retrata de forma paradigmática a luta da ordem contra o caos que queremos ilustrar:

– Você é detetive agora, filho. Não está autorizado a acreditar em coincidências.


Roberto Assis é escritor e Delegado de Polícia do Estado do Tocantins. Foi Agente de Polícia no Estado de Goiás por 8 anos. Possui dois romances publicados, O Outro Lado e FlaXFlu.

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